sábado, 1 de outubro de 2011

A Doce Vingança de Poliana




Quem observasse o rosto sereno e compenetrado da rainha, não imaginava o que lhe ia no íntimo. Poliana regozijava-se furtivamente com a situação. É claro que para o grande público exibia o discurso conciliador e parcimonioso que lhe fizera majestade. Para os membros de sua corte que saíram um tanto chamuscados da fogueira das vaidades, mostrava a placidez própria da realeza. Mas como era agradável assistir de camarote a tragicômica derrocada do todo poderoso Alquimista. Só Poliana sabia o esforço que precisava dispensar para conter as risadas que lhe faziam cócegas na garganta. Justo ele, que se achava acima de tudo e de todos, fora cair de forma tão constrangedora e hilariante,derrubado pelas próprias tentativas grosseiras de se manter em pé. Sua majestade recordava o sacrifício de ter de tolerar as infindáveis lições de articulação e oportunismo ofertadas por esse mestre da retórica. Pior ainda, era esta sombria e sorrateira figura perenemente a levitar sobre seu reinado. Apesar dos pesares, Poliana admirava a habilidade impressionante com que o Alquimista manobrava a tudo e a todos e a servidão com que seus pares atendiam ao menor estalar de dedos do ilustre mago. Deixando o divertimento de lado, Poliana não se iludia. Mesmo caído, e de imagem desarranjada, o Alquimista era ainda uma força a respeitar e admirar, pensa Poliana reflexiva.
Diz a lenda, que o sonho secreto de Poliana era pertencer ao seleto grupo de seguidores do Alquimista: a Irmandade do Fogo. Um grupo muito antigo e poderoso, anterior a quase tudo que se conhecia. Agraciados por Deus com o dom do poder eterno. Detentores de um diferenciado talismã, denominado Raízes Históricas. Esse estranho adorno dava a seus membros a capacidade de penetrar e se firmar em qualquer terreno, da aridez do solo agreste a frouxidão da lama e do lodo. No dia em que a primeira fagulha de poder surgiu na face da Terra, a Irmandade do Fogo já estava lá para se aquecer e se deleitar. Assim foi, e assim continuará sendo até o fim dos tempos, diz a profecia. E Poliana sempre almejara ser aceita nesse covil. Corre a boca pequena e maledicente, que a então plebéia Poliana, fora esnobada e desdenhada por esse grupo e teria jurado vingança. Rejeitada, se unira a um bando de plebeus barbudos e barulhentos que mais tarde formariam o inigualável e absoluto Grande Clã de Poliana. Mas a sofredora Poliana parecia fadada a rejeição e ao bullying. Mesmo com toda devoção ao clã, não era vista com bons olhos por muitos de seus companheiros. Revoltada com tantas humilhações, jurara novamente vingança. E, ao longo de todos esses anos, Poliana costurava lenta e pacientemente sua desforra. Hoje, a arrogante irmandade andava submissa e domesticada, sempre a sombra de Poliana. E quanto as super estrelas de seu clã? Para esses Poliana guardava a melhor parte. Trabalhava incansavelmente para tornar seu adorável clã cada dia mais parecido com a Irmandade do Fogo. Em muito pouco tempo, a hoje imponente rainha, conseguiria atingir seus objetivos. Tornaria os membros desses dois grupos tão semelhantes que seria impossível separá-los. Nesse dia, estará enfim realizando seu acalentado sonho de pertencer a Irmandade do Fogo e terá conseguido com um único golpe vingar-se de todos os que fizeram pouco caso da ardilosa e vingativa Poliana. Enquanto espera, aquece lentamente, seu merecido banquete na fogueira das vaidades.

4 comentários:

  1. MARCO ANTONIO GEIB2 de outubro de 2011 10:55

    É O "BRUXO" E SEUS APRENDIZES DE FEITICEIRO, DESTA VEZ DERAM COM OS "BURROS N´ÁGUA". ESTAVA MAIS QUE NA HORA DE ISTO ACONTECER !!!

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  2. Que engraçado, só eu e o Marco Gay que visitamos esse blog, porque será

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  3. Pelo menos o sr. Marcos GEIB assume o que fala. Ao contrário de vc, que além de preconceituoso, é covarde!

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  4. Covardia é a marca dos "companheiros"

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