sábado, 22 de outubro de 2011

Atendendo a pedidos: As aventuras de Poliana no Motel


Poliana, ainda tímida, tentava conter todo seu arrebatamento e fulgor. Eram tantos os parceiros disponíveis que era difícil para a jovem e recatada rainha resistir as tentações. Em cada parceria havia uma promessa de paraíso terreno. Poliana procurava esquecer os valores morais e falsos pudores que por tanto tempo defendera ao longo da vida. Luxúria e libertinagem aqueciam sua alma de rainha. Depois de beber dessa fonte inesgotável de prazer era impossível reprimir a sede voraz que a consumia por dentro. A febre que lhe corroia as entranhas exigia plena satisfação. Não adiantava mais pensar na donzela cândida que um dia fora. Seu manto de integridade agora jazia na lama do poder e das propinas. Poliana há muito fora deflorada em seus ideais. O que dava ainda certo conforto a consciência angustiada de sua alteza, era ver ao seu lado nessa orgia seus primeiros parceiros da libertina alcova. Se seus companheiros, antes tão sérios e moralistas, demonstravam tal contentamento e deleite com a situação, não seria Poliana a padecer de crises existenciais.
- Acorda Poliana! Tá sonhando acordada? – questiona um de seus bobos representantes da Irmandade do Fogo.
- Estou exausta! Vocês exigiram muito de mim. Não sou habituada com tanto ímpeto. E também não estou acostumada com essa cadeira esquisita! Que coisa mais desconfortável. Prefiro mil vezes o meu adorado trono real.
- A idéia de fazer nossa reunião aqui foi sua rainha. Nós bem que estranhamos, mas sua vontade para nós é lei majestade. – responde Líquen, assessor para interlúdios reais e massagista de ego oficial da rainha.
- O castelo está um caos com todas aquelas reformas. Eu já estava intoxicada com toda tinta cor de rosa que vocês escolheram para pintar meu palácio. O barulho que estão fazendo para reforçar a blindagem da minha redoma de vidro fumê estava me deixando louca! E vocês não querem que eu tenha uma enxaqueca, não é? – murmura Poliana, maliciosa.
- Claro que não alteza! Nós adoramos vê-la tão disposta e disponível. – Acrescenta prontamente um de seus fieis companheiros, lembrando-se dos problemas causados pelos humores frágeis da rainha.
- Mas fazer uma reunião num motel! Eu acho isso um disparate! – contesta, ultrajada, uma velha matriarca do clã. – O que vai dizer Imprensa Livre se souber desse absurdo? Nunca, em todo esse tempo de militância cega, eu presenciei uma coisa assim. Eu tenho uma reputação a zelar! Alguém aqui precisa honrar essa estrela que carregamos no peito!
- Motel? Como assim? Não entendi. - uma Poliana apalermada questiona aos seus bobos.
- Ora Poliana, esse motel onde estamos, é claro! - responde Líquen controlando a impaciência. -Foi idéia sua fazer nossa reunião de articulação de alianças aqui. Tivemos um trabalhão para reservar a maior suíte para acomodar tanta gente. - continua Líquen já começando a duvidar da sanidade mental da rainha. - Você sabe que fazemos tudo para garantir seu conforto e satisfazer suas vontades.
- Isso aqui é um motel?! – grita Poliana, incrédula, examinando o ambiente com atenção – Motel?! - continua escandalizada – Essa cadeira não é um modelo executivo de design moderno?! – pergunta, erguendo-se rapidamente, cada vez mais alarmada. – E esse negócio que eu estou segurando há horas, não é um microfone?! – berra a rainha ruborizada, largando no chão o peculiar objeto. – Ai, meu pai! Onde é que vocês me meteram seus molóides!
Os estarrecidos companheiros acompanhavam a cena cada vez mais confusos. Dessa vez ela enlouqueceu de vez, pensavam todos em consonância.
Líquen, agora mais amorfo que vaselina, tenta retomar um pouco de nexo ao ambiente, sem provocar os sensíveis ânimos reais: - Alteza, você não está lembrada de ter escolhido esse lugar?
- Claro! Mas eu não sabia que era um motel, seus estúpidos! Eu vi todos aqueles outdoors e folders coloridos e bonitos espalhados pela avenida. Tudo tão arrumado e perfeitinho. Tanta propaganda enganosa, prometendo todo o tipo de prazer ilusório e fantasioso. Era tudo tão parecido com aqueles cartazzes ridículos que nós disseminamos pelo reino, que eu achei que era mais uma das nossas propagandas enganosas! Pensei que era obra da OP (Orquestra Partidária)! – desabafa a rainha a beira da histeria.
- Haahhh não! – resmunga a platéia nervosa, já pensando nas conseqüências do deslize real.
- Ora bolas! Tenha paciência Poliana! Você não desconfiou do erro logo que chegou aqui? É só olhar para essa estrutura toda. A maior e mais importante obra feita por nós até agora foi um mictório coletivo que é menor que uma dessas banheiras! É sabido que não temos capacidade para um feito desse tamanho. Só nos discursos, é lógico. – manifesta-se Santo Jorge, mestre sala dos espetáculos pirotécnicos da OP, perdendo momentaneamente o rebolado e a ginga que o tornaram um showman.
- E agora?! O que vamos fazer?! – pergunta um membro do MSTT (Movimento Só Tramóia e Trago) em angustiado alvoroço.
- Vamos sair correndo daqui seus inúteis! Rápido, antes que Oposição desperte com nossa suruba! – ordena Poliana quase histérica. – Eu devia saber que não podia confiar em vocês! Vistam-se seus incompetentes! Saiam já dessa banheira! E façam silêncio! Vamos sair na surdina para não chamar atenção! – ordena a soberana.
- Mas e a conta, Poliana? Quem vai pagar?
- Ora, ora, seu bobo! A conta por nossos deslizes, quem paga é o fiel contribuinte. Esse é sempre o último a saber de nossas traições e falsidades. Além do mais, no final das contas, todo lucro vai parar nos profundos bolsos reais. Pois saibam vocês, seus bobocas, que essa é uma grandiosa obra da minha OP: Organizações Poliana! É um dos inúmeros projetos da Laranja Empreendimentos, empresa da qual sou sócia anônima e majoritária. Dessa fruta saborosa eu como até o bagaço.– responde a sedutora e travessa rainha antes de fechar a porta e apagar as luzes.

12 comentários:

  1. MUITO BOM...MUITO BOM MESMO !!!

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  2. Novamente mais um texto excelente, sem contar que é a mais pura realidade. E o castelo de sonhos está começando a desabar, bem pelos alicerces, o funcionalismo, ou seja o trabalho escravo enganado pela nobre alteza... parabéns!!

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  3. Thales Zamprogna de Souza24 de outubro de 2011 14:39

    Como seria o encontro entre Poliana, Madame Natasha, e Eremildo - o idiota?? Fica aí a sugestão para um próximo texto.

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  4. Adorei o conto, um dos melhores.

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  5. Voce será processada por calúnia e difamação. Terá que provar veracidade em tudo o que diz. Seu tempo está acabando. A rainha Poliana brilha,enquanto voce se estribucha escrevendo continhos. O tempo (daqui anos) te dirá de quem é aquele motel. Aí sim todos ficarão conhecendo quem vc é de verdade. Pare de inventar historinhas, ou vc acha que vai virar escritora.

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  6. Kátia, vai dá o cú pro gato arranha. Ou melhor pro teu marido.

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  7. Tomara que quem construiu o motel não tenha sido o seu marido, porque vai cair na bunda, digo cabeça de alguem logo logo.

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  8. O Marco Gay ta louco para ir ao Motel.Quem será que ele vai levar....

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  9. Doutora Kátia!
    Antes de escrever bobagens, pergunte ao seu colega de profissão o Dr. LEONEL LANIUS (pessoa de muita distinção), de quem realmente é esse tal motel que os mal informados e maledicentes da cidade estão tanto falando, incluo a senhora nesse processo. O Dr Leonel conhece o proprietário do motel, porque o mesmo é íntimo amigo de seus filhos (criaram-se juntos). Ele (Dr Leonel), tenho certeza não lhe negará informações a respeito. Por sinal lhe falará de todo o processo da construção do motel, desde quando começou a idéia, pois esse rapaz (o proprietário) herdou o terreno. Um bom escritor sempre se cerca de informações antes de publicar qualquer coisa, e isso é que gera credibilidade ao seu material. MUITO cuidado ao entrar no campo PESSOAL. Penso que voce esta perdendo o controle da sua raiva. Algo muito sério pode acontecer com voce, e não estou falando de processos judiciais ou coisa do genero. Já existem articulações, só estão esperando a hora certa. O ato ficará no subentendido, assim como os seus contos.

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  10. Esse Marco Geib não trabalha. Ele esta todo dia aqui nesse blog.

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  11. Atendendo a pedidos! Ah tá, e a senhora nem queria escrever. Enquanto lhe pedem, a senhora vai caindo na armadilha. Só para seu governo já sabemos tudo sobre a sua vida. O cerco já foi armado.A qualquer momento....Quem fez esse comentário ali em cima tá por dentro do troço.

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  12. Meu Deus do céu que apelação essas ameaças.. o que é isso terrorismo?? Perderam totalmente a vergonha na cara e a noção... acham que pq tem o "poder" nas mãos podem fazer qualquer coisa... como são ignorantes... qlq coisa que acontecer agora será investigada (por conta desses comentários) até mesmo uma gripe... ha ah ah ha... bando de bobos da corte!!

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