sábado, 7 de maio de 2011

O Apedrejamento de Poliana


Mais um ardiloso complô fora armado contra a pobre e ingênua Poliana. Dessa vez juntaram-se a sonolenta e moribunda Oposição e a sempre ranzinza Imprensa Livre (pela milésima vez, Poliana perguntava aos céus: quem diabos libertara essa fulana?!). Os raivosos atiravam pedras na indefesa e inocente rainha.
Invejosos! Mesquinhos! Povinho simplório e sem visão! Poliana já estava farta dessa gente sempre a lhe perseguir. Não conseguiam aceitar que ela era a soberana absoluta do reino. Conquistara com muito suor, bandeiraços, carreatas e pão com lingüiça o direito de se locupletar da coisa pública. Tudo, absolutamente tudo, que fosse público era de Poliana. E se era de Poliana, era de seus amigos e, é claro, de seu clã. Poliana, como sempre inovadora, tinha um projeto piloto, similar ao paquidérmico projeto de sua rainha mãe - a Escolhida, que estava implantando em seu pequeno reino: O Programa de Apoio a Companheirada (PAC), versão standard. Trata-se de um programa mais enxuto que o grandioso espetáculo idealizado pelo grande mestre o Ilusionista e sua fiel discípula a Escolhida.
Nesse modelo, cada um de seus incontáveis e inúteis, mas sempre muito divertidos, bobos da corte, poderiam escolher alguns pequenos mimos do reino para guardar como lembranças dos gloriosos anos de seu inigualável reinado. Era uma forma singela que Poliana encontrara de demonstrar sua gratidão àqueles que tantas horas dispensavam lhe massageando o ego. Que tanto se esforçavam para agradar e afagar a sua alteza. Modestas prendas a essas servis criaturas, que tantas noites insones passaram a lhe contar todas aquelas românticas historias sobre um reino encantado onde curandeiros nasciam nos buracos do asfalto, recursos caiam do céu em grossas pancadas e chuva e a saúde vinha montada em um formidável alazão, robusta e encorpada, gritando a plenos pulmões Upa cavalo! Upa! Upa! Gente assim, tão desprendida e criativa merecia todo respeito e os agrados que os inesgotáveis recursos públicos pudessem suportar.
No seu inovador projeto de incentivo ao agronegócio e ao descaramento sustentável pelo contribuinte plantavam-se pedras para num futuro próximo colherem-se muros. Tudo muito ingênuo e pueril. Somente Imprensa Livre e Povo Honesto não conseguiam entender um empreendimento tão simples e valoroso para as necessidades de um reinado de oportunidades e oportunistas. Poliana ainda ficava pasma como ainda havia gente capaz de acreditar que havia ética, moral ou decência em Mundo Real. Não sabem eles, os tolos, que essas são apenas alegorias de Horário Eleitoral. Servem para entretenimento apenas, não devem ser levadas a sério.
O fato é que todo o estardalhaço causado pela rabugenta e invejosa Imprensa (ainda) Livre adiara um projeto pessoal de Poliana. Nossa jovem e romântica rainha planejava retirar, discretamente é claro, a borbulhante fonte de água que fica na praça em frente ao Palácio Real. Com um pouco de cuidado e ajuste, Poliana tinha certeza que a tal fonte perderia o atual ar grotesco e ridículo e recobraria a antiga majestade, com espetáculo de águas e cores. Assim, gloriosa e bela, ficaria magnífica na sala de estar de sua residência. Seus amigos iam achar um show, pensa Poliana a socialite socialista.

3 comentários:

  1. Mas essa gente não tem jeito mesmo, até pedra ja tão pegando, que vergonha erechim...

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  2. Só conheço uma poliana em Erechim. És a mesma de que estamos pensando?

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  3. sera que ano ou mandato próximo vai ter vaga ou chefia pra vc escritora de poliana,ta com inveja, porque nao me ensina como fazer, ja que vc aprendeu no conto passado ou...

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